sexta-feira, 15 de abril de 2011

História: escola de iniciação das meninas de venda

Não inventem moda hein, é só para ler...
Vejam o que é a cultura.
Meus comentários em vermelho.
Boa leitura!

Estágio I : Muhulu ou muhulo; para -hula= para crescer)

Uma noviça ganha uma companheira de ritual, ela passa o tempo todo isolada no quarto do chefe ou do líder. Uma nobre permanece no privativo do líder (Cabana Privada), enquanto que uma menina do povo fica no tshivhambo,(Cabana do Conselho) em condições mais ou menos privativo. Não pode falar com nenhum homem exceto seu pai e seus irmãos, até que termine o segundo estágio (veja abaixo). Todos seus cabelos do corpo são raspados, e não é permitido o uso de ornamentos.

Noviças na Cabana do Conselho onde aprendem o milayo.
Confinadas na cabana para o Vhusha da Comunidade. Observe uma noviça recente, ainda sem o colar (KELÊ=MIGUI (???).. (Esta é a descrição de um quadro ilustrativo que tem no original).

Milayo, significa literalmente, “leis” ou “ instruções”, mas no contexto da iniciação pode ser traduzido como “a sabedoria”, porque aprendem primeiramente uma série de fórmulas, em que, a determinados objetos familiares são dados nomes especiais, e as regras de conduta, a etiqueta social, na coreografia dos rituais têm um significado simbólico como se fossem objetos. Durante o aprendizado do milayo, as sentenças, as frases, ou mesmo as únicas palavras do instrutor são pontuadas geralmente por um refrão falado por um outro oficial ou por uma noviça sênior, tal como “Fhira' ri ye, Khomba!” literalmente: (passe sobre que nós podemos ir, Khomba!). Estas interjeições são indicados por dois pontos ou por pontos cheios.

Muitos milayo são estruturadas em uma chamada em forma de resposta, em que a resposta foi recitada pelos novatos. No primeiro dia do Vhusha das nobres, a cada noviça é atribuído uma companheira de ritual; é despida e surrada 28 vezes pela mulher responsável (Aqui vc´s escolhem, ekedji do Ogun ou da Yemonjá) , quatorze cipoadas em cada coxa. (ENTENDERAM PORQUÊ ANTIGAMENTE SE BATIA EM MUZENZA?) Se a noviça for fraca ou doente, ou não desejar ser surrada duramente, pode pagar uma multa e receber somente oito cipoadas.


Por oito dias permanece despida e coberta somente com um cobertor. Pode ser pinchada, atormentada, e obrigada a trabalhar, pelas meninas “sênior”= mais velhas. É dada instruções especiais pelas velhas senhoras, que as atendem somente na primeira e última noite. Pelo resto do tempo, a noviça e as novatas do segundo estágio são supervisionados pelas meninas “sênior”=mais velhas, que comem também com elas duas vezes ao dia no quarto (bakice, ronkó). A papa ou mingau mole (feito de farinha de milho branco, perguntem a dofonitinha o que é isso...rsrsrsr) e uma iguaria feita com amendoim e flores da abóbora (dovhi vhuluvha) que são fornecidos pela mãe da noviça; o mingau deve ser cozinhado numa panela de ferro. Gente! É o mingau de milho branco!!!, reforçado com amendoim (já que elas vão casar logo...) e flores para temperar!!!)

No Vhusha dos nobres, como no Vhusha do povo, o alimento é providenciado pelas noviças, cozinhado pelas meninas do segundo estágio, e apreciado principalmente por aqueles em seu terceiro estágio e além. No nono dia, a noviça é acompanhada à sua casa, onde sua família deve oferecer o mingau para todas as meninas. Cozinham o mingau mole, que é chamado vhuteteha :deve ser cozido com farinha fina de milho (vhukhopfu) e água, e não deve conter nenhuma refeição pesada (vhuse). (Comida de Muzenza!!!!) Este mingau é servido ao menos em oito pratos de madeira (ndilo), das quais, sete são para as “seniors” (Kota, Makota, Mametu) e um para o noviço, que deve comer sozinha a menos que haja outra do mesmo grau dela. Em quatro dos pratos o mingau é servido em tiras, ao comprido (mikonde), e nos outros quatro é servido em formas redondas (mabumbulu). A noviça come somente o último.

A carne é fornecida pelas noviças, mas cozida por meninas em seu segundo estágio. Cada noviça deve dar duas aves colocando, junto com ao menos dois ovos que foram colocados por cada ave (e não por outras aves). Se não puder levar as aves e os ovos, deve pagar uma taxa, enquanto isto é atendido as noviças sênior pensam o que vão fazer.

A moela e um pé de cada ave são dados à noviça mais velha da casa. As meninas noviças do segundo estágio comem os pés, a cabeça, o fígado e as entranhas da ave; quando as noviças sênior “comem”, podem comer o sangue e mais tanta carne até estufar a barriga. As tripas não são dadas às noviças, mas são jogados para os porcos. Além da carne, os grãos secos de feijão, amendoim ou milho devem ser fornecidos, ou então um pagamento equivalente.

Depois, a família da noviça deve fornecer duas garrafas de banha de porco que é passada então no corpo da noviça, junto com o pó vermelho. A noviça passa os oito dias seguintes em repouso aprontando o seu enxoval para casar (tshiluvhelo) , com um faixa de grãos (tshifunga) , os cordões de algodão (mifhunga) que penduram na cintura, e o thahu amarrada atrás, representando um bebê.

Têm também o tonsure “da gravidez” (tschivhundu).Durante o ritual da noviça, o thahu permanece com ela o tempo todo. Quando a noviça remove o avental e o thahu, seus pais pagam ao Sacerdote uma taxa.

Cada estágio do Vhusha do povo continua por seis, em vez de oito dias e oito noites. As senhoras velhas estão laborando no primeiro e no último dia, que é chamado tshigogovhalo, mas nos outros dias as noviças estão a mercê das meninas sênior. Apesar de que, os nobres podem atender ao Vhusha do povo uma vez que passaram seu próprio muhulu, meninas do povo não podem atender a qualquer parte do Vhusha dos nobres.

Quando se graduam do muhulu, as meninas do povo usam uma saia enfeitada (tshirrivha) que deva ser da pele de cabra, (o bicho de 4 pés sacrificado durante o orô) mas são às vezes da pele dos carneiros. (Depende do(a) dono(a) do mutuê, como é para nós do Candomblé... Após a reclusão inicial em suas casas, vão com um presente de feixe de lenha para entregar às suas Mães do ritual, que no começo do muhulu (queda do mucunã) cortaram o seu cabelo no estilo chamado thotshi (tosa, catular) no estilo tshivhundu.

História e Cultura: Angola - nasce uma nação, sua origem e identidade

O surgimento do primeiro nativismo angolano

As primeiras idéias, a primeira consciência de rebeldia de nativismo aparece de certa maneira captada por estes contatos por estas inteligências em contato com o Brasil, quando se fala em nativismo esta palavra não aparece na Europa , aparece exatamente influenciada por uma corrente nativista brasileira.

Este conceito aparece em função primeiro no Brasil, e aparece no século XIX sobretudo a partir da Segunda metade surge um nativismo atuante mesmo quer dizer os primeiros jornais, os primeiros intelectuais, os primeiros africanos que criam jornais e ao mesmo tempo que escrevem como Cordeiro da Mata que escrevem, que criam gramáticas, criam dicionários de línguas nacionais sobretudo o kimbundu porque evidentemente era a área cultural o kimbundu em Luanda e que começam a pensar e a reivindicar, estes jornais são no primeiro momento jornais reivindicativos, a consciência tinha um certo limite, porque eles de certa maneira encontravam como obstáculo ainda o não conhecimento de uma Angola como um todo, era local e a reivindicação era local, a reivindicação da exploração, do racismo, das prioridades que davam aos colonos e não aos africanos, aos naturais, aos filhos da terras, começa-se haver a primeira autodenominação de naturais, de filhos da terra e depois de angolense - o primeiro jornal, (o jornal que existe hoje de imprensa alternativa Angolense é uma copia do titulo evidentemente do jornal do final do século XIX, começo deste século " O Angolense" , a historia não se repete não tem nada haver uma coisa com a outra mas o Américo Gonçalves tem todo mérito de não fazer esquecer este jornalismo nativista , o primeiro que houve ao dar novamente o nome de Angolense um jornal atual ).


Então existe esta primeira consciência que não é uma consciência nacional ainda, mas é uma consciência nativa reivindicativa em relação aquilo que estava a suceder, neste final de século e começo deste século havia por acaso toda uma consciência, ainda é final de monarquia na Europa, em Portugal a potência colonizadora de um espírito de certa maneira liberal que permitia a legalização destes pequenos jornais existentes e a imprensa nativista em Angola foi representativa e ela deve ser recuperada historicamente para mostrar como ela foi atuante, eram pequenos jornais que as vezes tinha duração de meia dúzia de números e caiam por ai adiante, o Eco de Angola, O Negro e outros é interessante dizer que estes jornais não existiam só em Angola, em Moçambique, etc., mas também em Lisboa devido ao contingente de emigração muitas vezes nesta época a Lisboa no final do século passado, então também houveram jornais nativistas em Portugal ai não particularmente de Angola, Moçambique mas ao contrário mas reunindo as diversas colônias, eram jornais digamos de um movimento anti-colonial ou pelo menos reivindicativo ao nível das coloniais, estas união de Palops tem uma origem lá no século passado.

A primeira reivindicação que se opunha ao colonizador era questão racial, mas depois coloca-se a questão de princípios influenciadas esta imprensa que vemos recorrendo a leitura são reivindicativas de um espírito de um socialismo utópico do final do século passado, universalistas e as vezes chegam a dizer que não " nós não queremos deixar de ser portugueses" chega-se a afirmar isto para se mostrar o espírito meramente reivindicativo mas não podemos admitir é que agente seja explorada, que seja discriminada racialmente, que seja explorados economicamente porque esta é a nossa terra ao mesmo tempo se reconhece os valores agora que tinham sido negados e continuaram a ser negados, os valores da terra, do ponto de vista lingüístico então é muito interessante porque estes jornais muitas vezes são bilíngüe tinham artigos em português todo rebuscado e depois o artigo em kimbundu.

Depois com a queda da monarquia e o começo da república ainda impera esta possibilidade de um espírito liberal durante algum tempo, mas logo com as mudanças que conduzem ao autoritarismo em Portugal começa a ser fechado nas décadas de 30/40 e começa a haver uma impossibilidade destas reivindicações e ao mesmo tempo também vai eclodir a 2º guerra mundial e ninguém esta separado e ninguém vive isolado dos acontecimentos, a segunda guerra mundial foi o momento de tomada de consciência de dizer porque que os europeus lutam, porque que nós somos colonizados, o que é ser nação, o que a nacionalidade e este questionamento ao mesmo tempo ligado a um autoritarismo cada vez maior e crescente nas coloniais e em Angola.

São os primeiros estudantes que vão fazer cursos em Portugal na década de 40 final da Segunda guerra mundial é o movimento que se espalha por toda África, os movimentos pan-africanistas, os movimentos culturais pois a primeira reivindicação é cultural , é o andamento para as questões políticas, aquela que vai construir esta consciência de pertencimento e de diferença em relação ao outro, em Angola podia se saber todos os nomes dos rios de Portugal, todas as linhas férreas que eram obrigadas a estudar em geografia e ninguém conhecia o monte mais alto de Angola ou do rio mais extenso.

domingo, 10 de abril de 2011

Angola X Ketu (algumas diferenças)

Para tentarmos apontar qualquer diferença entre essas nações é necessário retrocedermos um pouquinho mais no tempo, a fim de que possamos encontrar o ponto considerado ideal - o marco - capaz de permitir-nos o estabelecimento de um histórico destinado à identificação de tais diferenças, vez que, com o passar dos tempos as misturas de ritos e costumes foram naturalmente acontecendo. Essa mistura - hoje comumente conhecida por milonga - chegou a tal ponto que obrigou as Casas mais tradicionais a se fecharem, ocultando ainda mais os seus fundamentos. Outras, menos presas, ao tradicionalismo, acabaram assimilando terminologias próprias dos iorubanos que chegaram ao Brasil no período de declínio da escravidão.

A história comprova que o movimento escravagista trouxe ao Brasil, primeiramente, os povos bantu originários de Angola e do Congo. Estes falavam inúmeros dialetos, mas os que predominavam entre eles eram o Kimbundu - Angola e o Kikongo - Congo. Convém destacar que, por serem países fronteiriços, o uso desses dialetos já era comum para ambos, na própria região, passando a ser ainda mais misturado aqui no Brasil em razão da convivência durante as suas permanências nas senzalas.

Segundo Barcellos, em sua obra sobre As cantigas de Angola, 1998:19, a sobrevivência dos costumes e rituais religiosos só foi possível graças a um enorme esforço de seu povo, que, mesmo humilhado e vilipendiado, conseguiu levantar a notória bandeira branca de KITEMBU - patriarca dos angolas ou angoleiros - mantendo viva a nação para que nós, Munzangala Kitembu (filhos do tempo), possamos preservá-la.

Mas, ainda assim, o processamento de qualquer comparação entre as nações angola e ketu é, no mínimo, temeroso. Não há dúvidas sobre a diferença de tradições. De comum, diz Barcellos, "ambas têm apenas a crença e o ritmo".

Vejamos alguns pontos que são substanciais e ao mesmo tempo incomuns entre ambas:
1) é tradição dos povos ketu tocar os atabaques usando varetas denominadas akidavi ou lakdavi. Na nação angola isto é praticado com as próprias mãos;
2) na nação ketu é comum desenvolver o xirê dos orixás, cantando numa ordem pre-determinada. Os angoleiros, por sua vez, mantém uma ordem, muito embora não tenha que ser necessariamente a mesma utilizada pelos ketu, e o toque executado é o Jamberessu - ritual específico de invocação dos Minkisi.
3) o ritual fúnebre iorubano é conhecido por axexê, mas, tanto quanto no angola, é secreto e nada tem em igualdade com o Ntambi dos angolanos.
Mas, sem sombra de dúvidas, são extremamente coesos em seus propósitos. Diz, Barcellos: "são rituais muito diferenciados, profundamente sérios e de raríssima beleza plástica, embora sejam lúgubres, pois a morte, muito temida pelos povos animistas, ou seja, por aqueles que crêem que a natureza tenha vida e vontade próprias, é encarada como a passagem para um mundo mais evoluído, ou seja, o mundo dos Minkisi ou Orixás".
4) as cores dos Orixás e Minkisi guardam grandes semelhanças, posto que ambos atuam sobre as forças da natureza, o que equivale dizer que esta é essencialmente a responsável por tal similaridade.

Mas, alguns autores e dentre estes cito o próprio Barcellos, afirmam que a verdadeira diferença talvez esteja na questão étnica e na da origem religiosa. O império iorubano foi criado por Oduduwa, na Nigéria, fronteira com o Daomé, hoje República do Benin e aos poucos foi incorporando determinadas divindades, como por exemplo, a do orixá Nanã.

Outro aspecto notadamente próprio aos iorubanos é a vinculação do culto ao orixá a uma determinada região. Exemplo, Oxogbó/Oxum; Oyó/Xangô; Irê e Hondo/Ogum; Irá/Iansã, etc.

Ao contrário dos iorubanos, os bantu cultuavam seus Minkisi de acordo com a ocasião e seus reinos, impérios e países foram fundados ao longo do trecho compreendendo norte/nordeste até o sul da África. Os bantu foram os verdadeiros fundadores do Congo, Angola e Namíbia, entre outros.

Portanto, mesmo diante da visível e discutível tendência à unificação desses cultos no Brasil, quanto mais se estuda e busca o resgate das verdadeiras raízes, chega-se à conclusão de que todos guardam fundamentos, tradições, sabedoria, próprios dos seus povos e que, certamente, muito se perdeu ou foi mantido em segredo absoluto ao longo dos tempos.


Asé.

Divindades.

As divindades dividem-se em: soberanas e intermediárias. E as intermediárias em: superiores, auxiliares e serviçais. As soberanas são: Zambi e Calungangombe. E as intermediárias classificam-se em: miondonas, calundus, quituas e quiandas.

SOBERANAS

Zambi é o Deus das alturas promotor da existência, autor do bem e do mal, o Deus propriamente dito. Deriva de kuzamba: presentear (a vida, o mundo).
Calungangombe é o Deus das profundezas do globo – o Além-Túmulo dos aborígenes – o juiz e chefe dos mortos. Deriva de kalunga (morte) + ngombe (ruminante da família dos bovídeos). Logo, um ente voraz de vidas.

INTERMEDIÁRIAS
Miondonas são espíritos tutelares. Nascem conosco e herdam-se principalmente do ramo paterno. Defendem-nos do mal. Deriva de kukondona: limpar (do mal).

Calundus são espíritos justiceiros e medicantes. Herdam-se principalmente do ramo materno. Representam almas de pessoas que viveram em épocas remotas. Distingue-se o diculo – ancião e o diculundundo – ancião de idade mais avançada. Deriva de kulundula: herdar.

Malungas são espíritos simpatizantes. As entidades que, na vida terrena, constituíram indivíduos da raça branca, assumem, por influência do catolicismo, a qualificação particular “santo”.  Deriva de M’akuá-lunga: relativos aos do Além.

Quitutas são gênios. Vivem em toda a parte, como nas matas, rios, cacimbas, montes, rochas. Embora raramente, podem-se mostrar em forma de bichos, denunciando bons ou maus presságios. Deriva de kututa: transportar (em si).

Quiandas são as sereias. Vivem na água, principalmente no mar, podendo mostrar-se sob qualquer aspecto – pessoas, peixe, coisa. Suas aparições, tal qual aos quitutas, representam bons ou maus indícios. Deriva de kuenda: andar (indo com alguém).
Complementando as definições de espírito, vamos agora apresentar as de alma. Segundo o autor, espírito é uma alma evoluída, ou através de possessões seculares, ou através de sucessivas transmigrações – argumento este verificado no conto Quimalauezo, inserto no I vol. De Missosso, não como elemento de evolução, mas como um retorno à vida.

Muenho é a vida ou alma de vivente. Em sonho, desprende-se da matéria, vagueia pelo espaço. Deriva de kumuena: ver in loco.

Dele ou Zumbi é alma de pessoa falecida recentemente, num período não secular. O aportuguesamento de zumbi é canzubi. E de dele, proveio a expressão mundele – indivíduo de raça branca. Pela decomposição – mukuá-ndele – apura-se a comparação: possuidor de alma, semelhante a alma. Os termos derivam, respectivamente, de kuzumbika e kuendela, ambos os verbos significando perseguir (a mandado de feiticeiro). As almas e espíritos são designados pelos termos: akuá-Lunga (os do Além) e akuá-moxi-ia-mavu (os de debaixo da terra).

Quitulo é alma penada. Deriva de kutula: amargar.

Muculo é a alma de pessoa acabada de falecer, ou mesmo falecida há poucos anos, a qual actua noutrem, ou par lhe revelar um segredo, ou para lhe legar o seu saber e a sua corte de espíritos. Deriva de mukuá-ukulu: indivíduo do tempo antigo; que viveu noutro tempo.

Divindades: Religião e Deuses

TCHOKES – Hierarquia religiosa
N'Zambi - Criador do Mundo. Samuang.
Feminino Namuang, Masculino Tchirhongo – Personagem masculino, austero, representa força e mando. Primeiro casal da terra, representados por dois troncos secos e estreitos, com as esculturas de um casal nas extremidades, ficam erguidos perto das cubatas e isolados.
Kuba-Wavula –Divindade má, mata, queima e destrói em dias de chuva - Wavula – no momento do raio – Kuba. É representado por um manipanço disforme, com dentes pontudos e irregulares simulando uma boca.
Kakuka - Filho de Nzambi e Samuang, tem poderes de premonição. É representado por um boneco e uma tábua, na qual se esfrega o boneco, até este dar as respostas pretendidas.
Tuhemba(massuko) – Divindade feminina que ajuda as sementeiras. Primeira filha de Samuang e Tchirhongo. É representada por um tronco estreito e seco, com uma figura feminina esculpida na ponta. Esse tronco fica espetado do lado de uma paliçada pequena, que tem em cima figuras representando a família e descendentes.
Katoto - Personagem grotesco, ridículo e cômico.
Katwa - Figura amedrontadora, de feitiço muito poderoso, protege quem o agrada e prejudica os que o subestimam.
Mwana-Pwo - Totalmente feminina nos trejeitos e enfeites, é uma divindade protetora e alegre.
Deuses menores ou de segunda ordem
São todos filhos adotivos de Luzunzi.
Wela-ke-Luzunzi - É a entidade que protege os pobres e os tristes.
Kinkinda e Kilili - São as entidades protetoras dos grãos de milho, da mandioca e das farinhas que deles resultam.
Kimpunkulo e Kinzunda - São as entidades protetoras da agricultura.
M'Baki, Lukola-Limpangi, Mundala-Mipangi e Luki-a-Limpangi - São as entidades que protegem os riachos, onde habitam, junto com toda a fauna e flora desses lugares.
Mitologia do Clã Bakongo
NZambi - É o ente supremo e bom, que tem o poder criador. Chamam-lhe também de Tata ou Tata-Itu – Pai ou Pai Nosso.
Bakisi ou NKisi - São seres sobre-humanos que protegem o homem.
Bakasi Basi - são os espíritos da terra;
NKisi NSi - são os espíritos do poder. Usam outros espíritos nas suas tarefas, e são de uma maneira geral bons, mas se for necessário, podem também fazer o mal.
Zindundu - São espíritos de albinos, monstruosos e incapazes de procriar. São temidos por todos os espíritos do mal, muito embora não esteja muito bem definido que tipo de poder eles têm, nem como o exercem. Os albinos, em vida também são temidos a ponto de, nos mercados os deixarem pegar o que quiserem, sem terem que pagar por nada.
Basima - São os espíritos dos gêmeos; são bons e respeitados. Em vida os gêmeos também são respeitados como seres especiais; deles sempre se espera atitudes boas e generosas, e se por um acaso tomam uma atitude que não o seja, considera-se que houve forte razão para isso, ou que a atitude não foi bem interpretada.
Kilombo - São os espíritos que entram nos cérebros, os interpretam e influenciam.
Vimbu - São espíritos maus, de pessoas que morreram inchadas, com chagas, doenças de pele e irritações.

Kabila

Kabila — De Kubila: pastorear. - Pastor de Mutacalombo ou de Mutanjínji.
Quando um caçador não consegue abater uma peça de caça, se, por intermédio dum xinguilador, lhe suplica a sua intervenção, ele proporciona-lhe alguns animais que furta ao amo, difícil de ceder a tais pedidos.
Após a caçada, o caçador, como testemunho de verdade, apresenta ao xinguilador as caudas dos animais abatidos.
Na sua presença, ajoelha-se, bate palmas de reverência, e, tomada a bênção, informa-o do número de cabeças mortas.
— Parabéns, por Nâmbua e Samba, o milhafre-macho que vá para a panela (Sentido – hoje vamos nos fartar)! — Felicita o médium.
Regressando ao mato, esquarteja todas as peças e torna a voltar à casa do xinguilador. Mas com a carga. Então, cozinha as miudezas, com cuja iguaria brinda os calundus, pelo que o xinguilador se submete ao estado de possessão.
Depois de algumas divindades se mimosearem com um pouco de petisco, o Kabila ordena ao caçador que distribua a carne pelo xinguilador, companheiros e demais presentes, sendo o maior quinhão para si. Se, dentre os contemplados, existir uma mulher grávida, ao feto também toca a sua parte.
Na partilha, o caçador permanece de joelhos. Em caso de ingratidão para com a divindade, isto é, se não lhe participar o resultado da caçada, jamais tornará a abater uma só peça. É a punição.

Asé.

A história do atabaque

Em nossas giras de Umbanda, é muito comum se ter presente o ataba­que, um instrumento lendário e de origem afro. Esse instrumento dá ritmo e axé aos cultos, possibilitando uma melhor incorporação e dando maior energia aos trabalhos.


O atabaque é um instrumento Sagrado, Consagrado e Firmado por Ori­­xás e Guias e tem uma força pode­rosa, que em uma gira faz toda a di­ferença. Para aprendermos um pouco mais sobre o atabaque e seus funda­mentos trago algumas informações interessantes sobre o mesmo, relacio­nado aos cultos afro religiosos, dentre eles, Umbanda e Candomblé.

Segundo a Wikipédia, "O Atabaque de Origem Africana, hoje muito utili­zado nos cultos aos orixás, de reli­giõ­es também de origem afro, "E na verdade o caminho e a ligação en­tre o homem e seus orixás, os to­ques são o código de acesso e a chave para o mundo espiritual "( Romário Itararé há 35 anos toca atabaques e instru­mentos de percussão)

Há três tipos de atabaque: Rum, Rum­pi e o Lê. O Rum é o atabaque maior, o Rumpi seria o segundo ataba­que maior, tendo como importância responder ao atabaque Rum, e o Lê seria o terceiro atabaque onde fica o Ogã que está iniciando ou aprendiz que acompanha o Rumpi. O Rum também é usado para dobrar ou repicar o toque para que não fique um toque repetitivo. Importante saber que cada atabaque tem suas obrigações a serem feitas, pois o atabaque praticamente repre­senta um Orixá.

Existem vários tipos de toques, Angola que se toca com mão e Ketu que se toca com a varinha. Na Angola existem vários tipos de toques, onde cada toque é destinado a um Orixá, por exemplo, Congo de Ouro, Angolão que seria desti­nado a Oxossi, Ygexá que seria destinado a Oxum, etc. O mesmo acontece com Ketu, que se toca com varinha de goiabeira ou bambu, chamada aguidani.O couro também mere­ce cuidados, como passar dendê e deixar no sol para que ele, o couro, fique mais esticado e possa produzir um som melhor.

Um Ogã seria como um Tatá da Casa e na maioria das vezes seu conhecimento é quase superior a um Zelador de Santo. Para ser um Ogã não basta saber tocar, e sim, saber o fundamento da Casa, sali­entando que saber o canto na hora certa, é de gran­de importância para um Terrei­ro.

Existem também outros tipos de componentes que se usam junto com os ataba­ques, como por exemplo, o agogô, chocalho, triângulo, pandeiro, etc. Existe também o Abatá, que seria um tambor, com os dois lados com couro, que se usa muito no Rio Grande do Sul e na nação Tambor de Mina.

Os tambores começaram a apa­recer nas escavações arqueológicas do período neolítico.

O tambor mais antigo foi en­contrado em uma escavação de 6.000 anos A.C. Os primeiros tambores provavelmente consistiam em um pedaço de tronco de árvore oco. Es­tes troncos eram cobertos nas bor­das com peles de alguns répteis, e eram percutidos com as mãos, depois foram usadas peles mais resistentes e apareceram as primeiras baquetas. O tambor com duas peles veio mais tarde, assim como a variedade de tamanho.

De origem africana, o atabaque é usado em quase todos os rituais afro-brasileiros, típico do Candomblé e da Umbanda e de outros estilos relacio­nados e influenciados pela tradição africana. De uso tradicional na música ritual e religiosa são empregados para evocar os Orixás.









Por Marcos Vinicius Caraccio